Foi com sua lida como alfaiate que Luiz Marzano sustentou, posteriormente, sua família que – como muitas naqueles anos – foi bastante numerosa.
Luiz Marzano Filho (em sua obra “O Velho Teimoso: Um Sonho...o Éden III”, p.122), relata que seu pai – após se casar com Maria José Trópia, em 1915 - foi residir com a esposa no município de Conselheiro Lafaiete, então Distrito de Queluz, onde foi trabalhar na “Alfaiataria do Sr. Joubert”.
Posteriormente, chegou a abrir naquele local sua própria loja, “na parte baixa, próximo ao Rio Bananeiras”. Encontramos registro de Luiz Marzano como Alfaiate, autônomo, em Queluz já a partir do ano de 1915.(http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspxbib=313394&pagfis=117199&url=http://memoria.bn.br/docreader#)
Em 1919 chegamos a encontrar alguns anúncios nos jornais “O Lafayettense” e “A Voz do Povo”, do município de Conselheiro Lafaiete de sua então “Alfaiataria Paris”, situada primeiramente na Rua Marechal Floriano e, posteriormente na Rua Dr. Campolina, ambos destacando sua “confecção esmerada” e seus “preços módicos”.
Retornando a Ouro Preto, possivelmente ainda em 1919, após o nascimento de seu segundo filho, Vicente, inaugurou ali sua “Alfaiataria Moderna”.
Como alfaiate nessa cidade, ampliou sua clientela e seus serviços, inclusive de confecção de uniformes militares. Segundo relato de Vinicio Marzano, “era praticamente o único a confeccionar uniformes” para os integrantes do 10º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, que é instalado em Ouro Preto a partir de 1922.
Pelo menos dois de seus filhos, Vicente e Luiz Marzano Filho, auxiliaram o pai na oficina. Luiz Marzano teve também outros grandes parceiros, com quem compartilhava seu trabalho, dividido em etapas (modelagem, corte dos tecidos, costura e acabamento), sendo o Sr. Porfírio Guimarães citado pelo filho Luiz como um dos sócios do pai em sua época mais promissora como alfaiate.
Lygia Marzano, sua filha mais nova, que permaneceu residindo com o pai até seu falecimento, em 1973, recorda-se que o pai compartilhava seu conhecimento de alfaiataria, inclusive com alfaiates da capital, Belo Horizonte, ensinando a todos que lhe pediam, suas técnicas.
Em seu período mais propício, a partir de 1935, a Alfaiataria Moderna esteve situada no início da Rua Conde de Bobadela (Rua Direita) onde, ainda segundo Luiz Marzano Filho, “pela primeira vez”, seu pai “conseguira comprar, reformar e reunir o ambiente do seu ofício com o do lar” (O Menino Travesso: Um Sonho...o Éden II, p. 31). Mas este período teria durado poucos anos.
Também segundo Luiz Marzano Filho - desta vez em sua obra “Um Sonho ... o Éden”, de 1988, p. 107 - “por ocasião da Segunda Guerra, com a remoção do 10º BC para a orla marítima...seu pai teria sido obrigado a desfazer a sociedade que mantinha com seu grande amigo, Porfírio Guimarães, e a demitir alguns de seus oficiais alfaiates, para o que foi necessário vender a única casa que conseguiu possuir e usufruir por apenas três anos”.
Apesar das dificuldades, Luiz Marzano parecia sempre encontrar formas criativas para persistir. É ainda seu filho Luiz que relata que, nessa mesma época da Segunda Grande Guerra, ele “cismou” em fabricar giz de alfaiate, já que o produto – anteriormente importado da França – começou a faltar no mercado.
“Com a orientação e ajuda do professor de Química da Escola de Minas, Francisco Pignatari, após alguns meses de experimentos e ensaios diversos, conseguiu alcançar a fórmula definitiva e satisfatória ao uso próprio, misturando argilas, tintas e outros ingredientes, utilizando aparelhos e estampa idealizados por si mesmo. Montou, em seguida, uma indústria caseira, pequena” e começou a atender também alfaiates de outras cidades (Marzano Filho, Luiz . Um Sonho... o Éden. P. 109).

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