quarta-feira, 26 de abril de 2023

O regente inesquecível

 



              A vivência no universo das bandas de música também se iniciou precocemente. Depois de experiência inicial na banda do 10º Batalhão de Caçadores em Ouro Preto, Luiz Marzano, residindo em Queluz (atual município de Conselheiro Lafaiete) nos anos de 2015 a 2019, participou da Banda de Santa Cecília, ao lado de Antonino de Giuseppe Fázio, clarinetista casado com sua prima, Maria Tereza Marzano. É o que nos relata Luiz Marzano Filho (em “O Velho Teimoso: um Sonho...o Éden III, à página 122).

        Ainda em breve notícia encontrada no jornal “A voz do povo”, de julho de 2020, do município de Conselheiro Lafaiete, consta o nome de Luiz Marzano como membro da diretoria da Corporação Musical do Centro Operário, como segundo secretário, o que nos permite deduzir que deu continuidade à sua participação como músico de banda naquela cidade, mesmo após se mudar para Ouro Preto.





Em Ouro Preto, tocou inicialmente na Banda de Santa Cecília, juntamente com seu cunhado Salvador Tropia (também clarinetista), sob a regência de Ítalo Constantino (Tavares, Ana Regina Bittencourt. Recordações – Yone Tropia Bittencourt. Belo Horizonte: 3i Editora, 2013, p. 25). Vinicio Marzano, seu fiho, lembra recorda-se também de outros companheiros de Luiz Marzano, nessa atividade: Mário Fialho, Antonio de Brito e Pedro Gonzaga, entre outros.

Logo, entretanto, faria sua adesão à Sociedade Musical Bom Jesus de Matozinhos, em Ouro Preto, inicialmente na qualidade de músico. É dessa época outro “recorte” de jornal, dessa vez “A Tribuna do Povo”, de Ouro Preto, em que é mencionado como clarinetista, responsável pelo solo de uma das músicas da Banda, em concerto no Largo da Alegria na noite do dia 29 de junho de 1947.




 

            Luiz Marzano Filho, em sua obra “Um Sonho... o Éden” (p. 110), relatou que Luiz Marzano tornou-se depois supervisor e maestro dessa mesma Banda, a convite do presidente da Sociedade Musical, o farmacêutico José Ovídio Fortes, a quem, inclusive, dedicaria um dos dobrados que compôs e que até a atualidade é executado com freqüência pela mesma Banda.

            A Sociedade Musical Bom Jesus do Matozinhos é também conhecida como “a Banda do Rosário”, devido a localização de sua sede à rua Getúlio Vargas, no bairro Rosário, em Ouro Preto. Foi fundada em 1932 por Franklin Amâncio dos Santos, Temístocles Correia de Magalhães e Cândido Simplício Marçal. 





Tendo o Maestro Marzano à frente, nas décadas de 1950 e 1960, colecionou memoráveis momentos de brilhantismo e reconhecimento.

Apresentava-se não somente em Ouro Preto, mas também em outros municípios da região, como Mariana, Entre Rios de Minas ou Belo Horizonte, tendo se classificado neste local em primeiro lugar no festival promovido pela Rádio Itatiaia no ano de 1957.

            Sobre a participação da Sociedade Musical Bom Jesus de Matozinhos nesse Festival, Luiz Marzano comenta um fato pitoresco, em entrevista concedida a Maria do Carmo Correa (1962):

            “Por ocasião de um dos concursos de bandas de música do interior, realizados em Belo Horizonte, muito embora não estivéssemos preparados, aceitamos o convite para concorrer com a banda de música “Bom Jesus de Matosinhos”, mais com espírito de colaboração e esportividade. Acontece porém que, no dia da prova, em Belo Horizonte chovia a cântaros e nós envergávamos um velho uniforme de blusa cáqui e calça branca, destoando completamente das outras corporações que se apresentavam com belos uniformes. Pelas ruas, a passagem dos carros enlameava a nossa roupa e, por azar, o certame realizou-se ao ar livre, na Praça da Liberdade. Ali “o vento era de morte” e a praça se apresentava às escuras, pois faltava luz naquela noite. A primeira partitura colocada em minha estante logo no início do primeiro número, foi arrancada pelo vento para o meio do jardim. Agüentei a mão durante a introdução que eu sabia de cor. Porém, note-se a minha apertura na seqüência da música que eu não tinha decorado. Mas, felizmente a partitura foi recuperada e salvou minha situação de responsável pela boa execução da peça. Ao término do concurso, ovacionados e classificados vencedores, resolvemos fazer uma visita de conterrâneos à família do Dr. Alberto Caram, e este nos ofereceu um coquetel no bar da esquina. Aí, foi um trago só...”

No acervo fotográfico da Banda do Rosário encontramos reminiscências do Maestro Marzano, à frente ou ao lado dos demais componentes da banda, em desfiles, e até à frente do Cristo Redentor (em provável apresentação da Corporação na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1959).

A quase centenária Banda do Rosário preza também por ter tido brilhantes maestros à sua frente, como Francisco Solano e Odilon Villas Boas, pelos quais guarda um carinho especial. Na atualidade está sob regência do Maestro João Paulo Moura.

 Luiz Marzano foi também um deles. Mas o carinho, nesse caso, foi recíproco: foi para a Banda e por causa dela, que o Maestro compôs alguns dobrados e hinos que não deixam de encantar o povo, quando este – fazendo parte do cortejo, seja em procissões, seja em comemorações cívicas – ainda se emociona e vibra com o toque dos instrumentos pelas ruas.


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