sábado, 29 de abril de 2023

Lembranças do meu avô Luiz - neta Maria Virgínia



 

Quando meu avô, Luiz Marzano, faleceu eu era uma menina. Devia ter 7 anos e só guardei algumas lembranças dele.

Sua alfaiataria ficava na rua São José, em Ouro Preto. Era lá que moravam também os dois manequins do meu avô: o Gordo e o Magro. Eles enfeitavam a loja e atraiam muitos turistas e curiosos.

Meu avô, que nasceu em Entre Rios de Minas em 1896, veio ainda jovem para Ouro Preto em 1912 e, desde então, começou a trabalhar como ajudante de alfaiate, até ter sua própria alfaiataria.

Me lembro bem da loja, pois minha tia Lígia, após a morte do pai, continuou a vender tecidos, armarinhos e outras confecções por muito tempo. Era um dos meus lugares preferidos quando ia de férias para Ouro Preto. Grandes armários com portas envidraçadas, gavetas e prateleiras, que sempre mostravam novidades. Lá eu conheci o giz de alfaiate, botões, zíperes, agulhas de vários tamanhos, linhas de costura, aprendi a medir tecido e a mexer na antiga máquina registradora.

De lá saíamos para ir até o bar da esquina comprar chicletes e balas.

Sua casa era bem grande. A entrada era como uma garagem, sem carro. Não lembro do meu avô ter carro ou dirigir, mas me lembro muito bem de vê-lo chorando, já doente, quando fomos nos despedir dele quando nos mudamos para Corumbá. Devia ser início do ano de 1971. Meu pai ia trabalhar lá e fomos todos: mamãe, eu, Cristina e Regina também. Minha irmã, Luísa, mais nova não tinha nascido ainda.

Foi lá, naquele casarão, que um dia entrei no seu quarto e me lembro que ele nos pediu para sair, pois estava com dor naquela hora. Meu avô deve ter sofrido muito. Ele teve câncer e naquela época não existia tratamento como hoje.

Na parte de cima do sobrado, havia um terraço. Neste terraço um barracão, parece que feito de madeira. Lá ele fazia as palhetas de bambu para seus instrumentos de sopro e para a banda também.

São poucas lembranças. Meu pai não falava muito do meu avô. Que pena, não tive curiosidade de perguntar para ele (meu pai faleceu em 1990).  Lembro também do dia que ligaram avisando da sua morte. Foi em 1973. Nós morávamos em Alumínio - SP, meu pai estava trabalhando na CBA.

Ficamos pouco em Corumbá. Meu pai ficou doente lá e tivemos que voltar. Foi quando ele ficou com diabete. Voltamos para Ouro Preto no final de setembro de 1971 e logo no início de 1972 nos mudamos para Alumínio.

A música sempre esteve presente na nossa família. Os filhos e netos do meu avô, Luiz, cultivaram o apreço pela música em suas casas e festas. Até hoje, quando acontecem as reuniões em família, sempre tem alguém cantando e tocando instrumentos musicais.

Meu pai, Petrônio, ouvia muita música. Ele tocou bateria quando jovem nos bailes em Ouro Preto. Depois de casado costumava tocar sua escaleta, acompanhando os discos de Glenn Miller, Ray Conniff e outros. Em 1976 comprou nosso piano, que está comigo até hoje. Neste piano eu e minhas irmãs tocamos músicas de autoria do meu avô.

Agora com 57 anos de idade, senti necessidade de preservar a obra de meu avô. Partituras e manuscritos correm o risco de se perder, se deteriorar com o tempo. Também acredito que através deste blog, muitas outras pessoas poderão conhecer suas composições e se encantar com suas linhas melódicas, tão bem cuidadas e bonitas.

Ao meu avô, Luiz Marzano, minha gratidão, respeito e carinho.

                                                                                                

                                                                                        Maria Virgínia Rietra Marzano

                                                                              

Luiz Marzano com as netas Maria Virgínia e sua irmã Maria Cristina, 1967


 


    

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