Quando meu avô, Luiz Marzano,
faleceu eu era uma menina. Devia ter 7 anos e só guardei algumas lembranças
dele.
Sua alfaiataria ficava na rua São
José, em Ouro Preto. Era lá que moravam também os dois manequins do meu avô: o
Gordo e o Magro. Eles enfeitavam a loja e atraiam muitos turistas e curiosos.
Meu avô, que nasceu em Entre Rios
de Minas em 1896, veio ainda jovem para Ouro Preto em 1912 e, desde então,
começou a trabalhar como ajudante de alfaiate, até ter sua própria alfaiataria.
Me lembro bem da loja, pois minha
tia Lígia, após a morte do pai, continuou a vender tecidos, armarinhos e outras
confecções por muito tempo. Era um dos meus lugares preferidos quando ia de
férias para Ouro Preto. Grandes armários com portas envidraçadas, gavetas e
prateleiras, que sempre mostravam novidades. Lá eu conheci o giz de alfaiate,
botões, zíperes, agulhas de vários tamanhos, linhas de costura, aprendi a medir
tecido e a mexer na antiga máquina registradora.
De lá saíamos para ir até o bar
da esquina comprar chicletes e balas.
Sua casa era bem grande. A
entrada era como uma garagem, sem carro. Não lembro do meu avô ter carro ou
dirigir, mas me lembro muito bem de vê-lo chorando, já doente, quando fomos nos
despedir dele quando nos mudamos para Corumbá. Devia ser início do ano de 1971.
Meu pai ia trabalhar lá e fomos todos: mamãe, eu, Cristina e Regina também.
Minha irmã, Luísa, mais nova não tinha nascido ainda.
Foi lá, naquele casarão, que um
dia entrei no seu quarto e me lembro que ele nos pediu para sair, pois estava
com dor naquela hora. Meu avô deve ter sofrido muito. Ele teve câncer e naquela
época não existia tratamento como hoje.
Na parte de cima do sobrado,
havia um terraço. Neste terraço um barracão, parece que feito de madeira. Lá
ele fazia as palhetas de bambu para seus instrumentos de sopro e para a banda
também.
São poucas lembranças. Meu pai
não falava muito do meu avô. Que pena, não tive curiosidade de perguntar para
ele (meu pai faleceu em 1990). Lembro
também do dia que ligaram avisando da sua morte. Foi em 1973. Nós morávamos em
Alumínio - SP, meu pai estava trabalhando na CBA.
Ficamos pouco em Corumbá. Meu pai
ficou doente lá e tivemos que voltar. Foi quando ele ficou com diabete.
Voltamos para Ouro Preto no final de setembro de 1971 e logo no início de 1972
nos mudamos para Alumínio.
A música sempre esteve presente
na nossa família. Os filhos e netos do meu avô, Luiz, cultivaram o apreço pela
música em suas casas e festas. Até hoje, quando acontecem as reuniões em
família, sempre tem alguém cantando e tocando instrumentos musicais.
Meu pai, Petrônio, ouvia muita
música. Ele tocou bateria quando jovem nos bailes em Ouro Preto. Depois de
casado costumava tocar sua escaleta, acompanhando os discos de Glenn Miller,
Ray Conniff e outros. Em 1976 comprou nosso piano, que está comigo até hoje.
Neste piano eu e minhas irmãs tocamos músicas de autoria do meu avô.
Agora com 57 anos de idade, senti
necessidade de preservar a obra de meu avô. Partituras e manuscritos correm o
risco de se perder, se deteriorar com o tempo. Também acredito que através
deste blog, muitas outras pessoas poderão conhecer suas composições e se
encantar com suas linhas melódicas, tão bem cuidadas e bonitas.
Ao meu avô, Luiz Marzano, minha
gratidão, respeito e carinho.
Maria Virgínia Rietra Marzano
![]() |
| Luiz Marzano com as netas Maria Virgínia e sua irmã Maria Cristina, 1967 |

Nenhum comentário:
Postar um comentário