quarta-feira, 26 de abril de 2023

INTRODUÇÃO

 

                        Numa época em que a noção de memória se transferiu para o domínio dos “chips” de silício, dos computadores e das histórias de ficção científica..., os críticos lamentam rotineiramente a entropia da memória histórica, definindo a amnésia como perigoso vírus cultural criado pelas novas tecnologias da mídia. (...) A rememoração dá forma aos nossos elos de ligação com o passado, e os modos de rememorar nos definem no presente. Como indivíduos e sociedades, precisamos do passado para construir e ancorar nossas identidades e alimentar uma visão de futuro. (HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória. Ed. Aeroplano, 2000, p. 67)



Há histórias que nunca foram contadas. De outras, sabemos parte. Outras ainda só iremos saber se formos costurando os retalhos que a memória de muitos traz, aos poucos, à claridade.

Essa história de agora, que começamos a contar, é feita de muitas histórias, de muitas memórias (e, lógico, re-desenhadas e re-inventadas por essas mesmas memórias). Talvez não seja de todo verdadeira, talvez muitos fatos estejam alterados, muitas datas equivocadas.

Essa é a história de um homem. Nem sabemos, ao certo, se foi um homem cuja história tenha alguma relevância ou importância de cunho social ou histórico. Se é uma história que mereça ser conhecida por muitos. Mas, para nós, que fazemos – de certa forma – parte da história desse homem, é uma história que merece ser contada. Nela encontramos um pouco de nossas verdades, nela reconhecemos alguns de nossos talentos e de nossos sonhos. Ela talvez explique algumas de nossas fraquezas. Ela nos une a um grupo, com particularidades, com uma identidade.  

Pois bem, é mesmo assim. Ao reconstruir a história de Luiz Marzano, muitas outras se fazem e se fizeram. Talvez tenhamos tempo para contá-las por aqui, talvez elas fiquem apenas em nossa memória. Com certeza elas contribuíram para o que estamos contando agora. É uma história construída por um grupo. E olha que tem gente por aqui que já não está nem mais entre nós, mas cujo trechinho da fala é de muito valor.

            Esperamos que gostem de ouvi-la.


                                                                        


Luiz Marzano em sua Alfaiataria Moderna com seus manequins
1968


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