Salvador Trópia, cunhado de
Luiz Marzano, irmão de sua esposa Maria José Trópia Marzano, tinha um sonho: ter
uma sala de cinema em Ouro Preto. Naquela cidade, desde os primeiros anos do
século XX já funcionavam algumas salas de cinema (Cine Estrela do Sul e Cine
Brasil).
Em
1926, Salvador vendeu seu armazém e adquiriu uma sala de propriedade do Sr.
Joaquim de Oliveira, instalada provisoriamente no Teatro Municipal (Casa da
Ópera). Posteriormente, comprou um prédio na então Rua Tiradentes, nº 17, reformou-o
e adaptou-o para cinema. Nasceu ali o Cine Central. (Tavares, Ana Regina
Bittencourt. Recordações – Yone Tropia Bittencourt. Belo Horizonte: 3i Editora,
2013, p. 107 e 108).
Até 1927, quando foi lançado, em Nova Iorque, o primeiro longa
metragem sonoro, “O Cantor de Jazz” (The
Jazz Singer), do diretor Alan Crosland, no qual as falas e o canto gravados
em um disco de acetato eram sincronizados com a projeção das imagens do filme,
o cinema era um espetáculo mudo.
Essa novidade demorou a chegar ao interior de Minas. E no Cine
Central, como na maioria das salas de cinema, havia a cada sessão a execução de
músicas, tocadas por alguns instrumentistas, que procuravam – modulando gêneros
musicais e andamentos – acompanhar as cenas dos filmes que eram projetados nas
telas, tornando a experiência do cinema mais completa.
Vinício Marzano nos relata que Luiz Marzano, juntamente com seus
cunhados Salvador, José e Joãozinho Trópia, e sobrinhas,filhas de Salvador
(Rosa, Eunice e Geralda) tocava na orquestra do cinema, pelo menos até o ano de
1929.
Aprimorando cada vez mais sua técnica na clarineta e saxofone,
além de seu conhecimento geral em termos musicais, Luiz Marzano – além da
atividade nas bandas, às quais nos referimos anteriormente – fazia igualmente
parte de conjuntos musicais que tocavam por ocasião de festas religiosas em
diversas igrejas de Ouro Preto.
Por outro lado, seu espírito livre e arrojado o fez também
participar de conjuntos de “Jazz-band”, tocando em festas, bailes sociais e
carnavalescos. Em postagem realizada recentemente (28 de agosto de 2018) em
página de rede social do Festival “Tudo é Jazz” (disponível em https://www.facebook.com/profile/100067515433171/search/?q=Luiz%20Marzano), Luiz Marzano é citado como um dos músicos que constituíram o
grupo de Jazz-Band Vila Rica, em 1959.
Entretanto, há registros anteriores de sua participação em
diversas bandas que animavam bailes e carnavais ouropretanos, já a partir da
década de 1930, sejam na Associação Comercial, no Centro Acadêmico da Escola de
Minas de Ouro Preto, no Clube Quinze de Novembro, ou no Clube dos Lacaios. Uma
fotografia da banda “Paulo e seu Ritmo”, tradicional em Ouro Preto por esses
anos, mostra Luiz Marzano como um de seus integrantes.
Luiz Marzano Filho, em seu livro “Um Sonho... o Éden”, p. 108,
cita ainda a participação do pai no conjunto “Marinheiros do Ar-Marinho”
(fazendo menção à sua profissão como alfaiate) até seus últimos anos de
atividade profissional. Com o pai, chegaram a tocar alguns de seus filhos,
inclusive Petrônio, em instrumentos de percussão. Vários de seus netos se
recordam de vê-lo no palco, animando o baile, enquanto dançavam nos clubes
ouropretanos.
Para além dos bailes, Luiz Marzano tinha uma paixão pelas
tradicionais serenatas. Até hoje é lembrado por alguns ouropretanos como
seresteiro, ao lado de companheiros como Zé Murta, Lamparina, Joaquim de Brito,
Sô Gê e, inclusive, de um de seus filhos, Vicente, que se mudou ainda jovem
para Belo Horizonte. (segundo relato de Vinicio Marzano, outro de seus filhos).
Luiz Marzano Filho nos relata que seu pai, com bom humor, dizia que gostava de
tocar nas partes mais altas da cidade, para que toda a população ouropretana o
pudesse ouvir. (Luiz Marzano Filho em seu livro: “Um Sonho... o Éden”, p. 109)
Dos sete filhos de Luiz Marzano e Maria José Tropia que chegaram
à idade adulta, Vicente Marzano - apesar de ter aprendido o ofício de alfaiate
- foi o único que se dedicou quase que integralmente à carreira musical.
Assim como seu pai, autodidata e apaixonado pela música,
dedicou-se ao violino e exerceu sua atividade como músico inicialmente nas
Rádios Guarani e Inconfidência, em Belo Horizonte, além de tocar em
restaurantes e casas noturnas. Posteriormente, foi convidado para membro da
Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de Minas Gerais, quando de sua formação
(1948), onde tocou viola e violino. (Homem, Fernando Pacífico As influências
do Maestro Sebastião Vianna no cenário musical erudito de Belo Horizonte /
Fernando Pacífico Homem. _Salvador, 2013, p. 131 e 173).
Luiz
Marzano, “sempre procurando uma distração nas horas disponíveis”, segundo
relato de seu filho Vinicio Marzano, também iniciou em 1948 a confecção de
palhetas para instrumentos de sopro (clarineta e saxofone), utilizando-se da
cana do reino que crescia no quintal de sua casa. Construiu uma pequena oficina neste mesmo quintal, onde as
confeccionava, fornecendo-as para muitos músicos e comerciantes da região, inclusive a "Casa Marcatto", em Belo Horizonte, ainda existente, e na época referência como local para aquisição e conserto de instrumentos musicais variados.
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| Luiz Marzano tocando ao lado de Silvio Caldas, José Benedito Neves (na ocasião prefeito de Ouro Preto) e Wilson Frade - julho de 1965 |

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