sábado, 29 de abril de 2023

Homenagem ao meu avô Luiz Marzano - neta Virgínia Amaral de Santana


Quanta emoção sinto hoje nesta oportunidade de homenagear o meu querido avô Luiz Marzano.

Sou a quarta neta e tive a alegria de conviver com ele até os meus 25 anos de idade, quando ele nos deixou, porém, sua presença sempre continuou e continua viva em minhas recordações.

Tinha o semblante sempre sereno e não me recordo de vê-lo carrancudo em nenhum momento. Até mesmo nos momentos em que já estava doente e não tinha muito mais tempo de vida, conseguia transmitir serenidade.

Nesta ocasião, eu tinha por costume levar para ele de lanche um copinho de iogurte que ele tomava lentamente se deliciando e sempre reclamava que era tão bom dizendo: “pena que é pouco”.

Elogiava também as brevidades que de tempos em tempos eu fazia especialmente para ele.

Uma lembrança muito alegre da minha infância é que nos carnavais, quando eu ia ao clube para as matinês, ele sempre estava lá tocando, todo animado. E depois, na juventude, quando eu já frequentava os bailes da noite, ele também estava lá abrilhantando nosso carnaval, sempre vibrante.

Tinha no seu sangue italiano um traço afetuoso, e com seu exemplo sempre nos ensinava a “falar com doçura”.

Um fato curioso que ele deve ter aprendido pelas andanças por Ouro Preto: me ensinou a subir as ladeiras da nossa terra de forma transversal, e dizia que assim faziam os burros, para cansar menos e seguir sem interrupção. Eu continuo fazendo isto, pois em Lafaiete há muitas ladeiras e sempre me vem novamente a lembrança carinhosa dele, quando estou subindo alguma.

Sempre quando estávamos almoçando em família ele gostava de contar piadas. Ele era daqueles que já ria muito no início da piada, ria até de chorar, porém as piadas eram muito sem graça. E eu ria, mas era das risadas dele.

Vovô não tinha muito estudo. Casou-se muito jovem e logo formou uma família numerosa. Porém gostava de ler o jornal diariamente, tinha uma inteligência e uma sensibilidade muito apuradas. Tinha uma bonita caligrafia e conversava com muita desenvoltura, dando notícias do que acontecia no mundo.

Quando eu fiz 15 anos ganhei da querida dona Risalva Kassis um caderno para anotar recordações. Guardo até hoje com carinho esse caderno. Foram poucos parentes e amigos que escreveram uma mensagem neste caderno. Um deles foi o vovô, que carinhosamente escreveu-me um versinho que compartilho com vocês:

“Virgínia minha querida neta,

Vovô te tem grande admiração;

Diria melhor se fosse um poeta,

Mas vovô fala a voz do coração!."


                                                                        


                                                                     Virgínia Amaral de Santana, Dez/2022

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