quarta-feira, 26 de abril de 2023

Luiz e Maria José

             Luiz Marzano, que chegou a Ouro Preto de um modo tão solitário, não tardou a encontrar companhia.

           Ouro Preto sempre foi considerada uma cidade romântica e imaginamos que essa sua característica era ainda mais importante naquele início do século XX, transportando-nos para aquela época,quando ainda o luar imperava sobre a luz dos postes e faróis e quando os olhares furtivos se cruzavam pelas calçadas de pedra, e ainda se escreviam bilhetes e se ofereciam flores...

            Naqueles mesmos anos, a cidade abrigava uma outra família de descendência italiana, a do Sr. Vicenzo Trópia e Sra. Rosa Bonsangue Tropia, provenientes de Canicatti, província de Agrigento, na ilha da Sicília.

Assim como o pai de Luiz, os dois deixaram a Itália, trazendo consigo os seus cinco filhinhos: Antonia, Calógero, Salvatore, Pietro e Antonio, com idades variando dos 10 anos aos 6 meses de idade.

           Após uma viagem longa e difícil no vapor Colombo na qual, inclusive, vieram a perder um de seus filhos (Calógero, de 8 anos), chegaram ao Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1896. (Tavares, Ana Regina Bittencourt. Recordações – Yone Tropia Bittencourt. Belo Horizonte: 3iEditora, 2013).

          Como possuíam alguns familiares em Juiz de Fora, para lá se dirigiram inicialmente. Ali nasceu a primeira filha do casal em terras brasileiras, Maria José Trópia, em 19 de março de 1900.

          Posteriormente, mudaram-se para Passagem de Mariana e para Ouro Preto, onde se instalaram à Rua São José, tendo Vicenzo ali aberto sua oficina como sapateiro: “A Bota de Ouro”.

Vicenzo e Rosa tiveram mais três filhos e prosperaram na cidade onde, segundo nos relata Yone Tropia (idem acima), Vicenzo “era muito alegre, conhecido e respeitado por todos”. Rosa, porém, veio a falecer precocemente (em 1910), e Vicenzo precisou contar com a ajuda de Sá Maria, que chegara da Itália e foi contratada como empregada, para auxiliar no cuidado dos filhos, muitos ainda pequenos. Mais tarde, contaria com a ajuda de uma prima, Sá Donana, para a mesma função.

E foi pela Maria, a Maria José, por quem Luiz Marzano se encantou.

Eram muito jovens quando contraíram matrimônio, no dia 24 de novembro.

Após o casamento, mudaram-se para o Distrito de Queluz, hoje município de Conselheiro Lafaiete, onde Luiz Marzano começou a trabalhar como alfaiate para o Sr. Joubert. Em seguida montou sua própria alfaiataria, de nome Paris.

Em Conselheiro Lafaiete o casal Tropia Marzano viu nascer sua primeira filha, a quem deram o nome de Minervina. Entretanto, a criança faleceu precocemente. Após o nascimento do segundo filho, Vicente, em 20 de abril de 1919, retornaram para Ouro Preto.

Em Ouro Preto, tiveram mais 10 filhos: Rosa e José Benito (ambos também faleceram ainda bem pequenos), Maria da Conceição, Luiz, Itália, Vinicio, Petronio, Marcius, Cassius e Lygia, sendo que Marcius e Cassius também vieram a falecer ainda na primeira infância, “o que causou extrema tristeza aos seus pais e irmãos, mormente por terem os óbitos ocorridos no mesmo ano, 1940”. (Luiz Marzano Filho, em “O Menino Travesso: Um Sonho...o Éden II, p. 32).


                                                                


Maria José Tropia


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