Luiz Marzano, que chegou a Ouro Preto de um modo tão solitário, não tardou a encontrar companhia.
Ouro
Preto sempre foi considerada uma cidade romântica e imaginamos que essa sua
característica era ainda mais importante naquele início do século XX, transportando-nos
para aquela época,quando ainda o luar imperava sobre a luz dos postes e faróis
e quando os olhares furtivos se cruzavam pelas calçadas de pedra, e ainda se
escreviam bilhetes e se ofereciam flores...
Naqueles
mesmos anos, a cidade abrigava uma outra família de descendência italiana, a do
Sr. Vicenzo Trópia e Sra. Rosa Bonsangue Tropia, provenientes de Canicatti,
província de Agrigento, na ilha da Sicília.
Assim como o pai de Luiz, os
dois deixaram a Itália, trazendo consigo os seus cinco filhinhos: Antonia,
Calógero, Salvatore, Pietro e Antonio, com idades variando dos 10 anos aos 6
meses de idade.
Após uma
viagem longa e difícil no vapor Colombo na qual, inclusive, vieram a perder um
de seus filhos (Calógero, de 8 anos), chegaram ao Rio de Janeiro em 16 de
agosto de 1896. (Tavares, Ana Regina Bittencourt. Recordações – Yone Tropia
Bittencourt. Belo Horizonte: 3iEditora, 2013).
Como
possuíam alguns familiares em Juiz de Fora, para lá se dirigiram inicialmente.
Ali nasceu a primeira filha do casal em terras brasileiras, Maria José Trópia,
em 19 de março de 1900.
Posteriormente,
mudaram-se para Passagem de Mariana e para Ouro Preto, onde se instalaram à Rua
São José, tendo Vicenzo ali aberto sua oficina como sapateiro: “A Bota de
Ouro”.
Vicenzo e Rosa tiveram mais
três filhos e prosperaram na cidade onde, segundo nos relata Yone Tropia (idem
acima), Vicenzo “era muito alegre, conhecido e respeitado por todos”. Rosa,
porém, veio a falecer precocemente (em 1910), e Vicenzo precisou contar com a
ajuda de Sá Maria, que chegara da Itália e foi contratada como empregada, para
auxiliar no cuidado dos filhos, muitos ainda pequenos. Mais tarde, contaria com
a ajuda de uma prima, Sá Donana, para a mesma função.
E foi pela Maria, a Maria
José, por quem Luiz Marzano se encantou.
Eram muito jovens quando contraíram matrimônio, no dia 24 de novembro.
Após o casamento, mudaram-se para o Distrito de Queluz, hoje município de Conselheiro Lafaiete, onde Luiz Marzano começou a trabalhar como alfaiate para o Sr. Joubert. Em seguida montou sua própria alfaiataria, de nome Paris.
Em Conselheiro Lafaiete o
casal Tropia Marzano viu nascer sua primeira filha, a quem deram o nome de
Minervina. Entretanto, a criança faleceu precocemente. Após o nascimento do
segundo filho, Vicente, em 20 de abril de 1919, retornaram para Ouro Preto.
Em Ouro Preto, tiveram mais
10 filhos: Rosa e José Benito (ambos também faleceram ainda bem pequenos),
Maria da Conceição, Luiz, Itália, Vinicio, Petronio, Marcius, Cassius e Lygia,
sendo que Marcius e Cassius também vieram a falecer ainda na primeira infância,
“o que causou extrema tristeza aos seus pais e irmãos, mormente por terem os
óbitos ocorridos no mesmo ano, 1940”. (Luiz Marzano Filho, em “O Menino
Travesso: Um Sonho...o Éden II, p. 32).
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Maria José Tropia |

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